Como é o armazenamento de células-tronco em bancos públicos?

Células-Tronco

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O armazenamento de células-tronco do cordão umbilical é um procedimento rápido, não invasivo e indolor feito no nascimento do bebê com a finalidade de possibilitar o tratamento futuro de diversos tipos de doenças. No Brasil, algumas maternidades já estão credenciadas a uma rede de bancos públicos de sangue de cordão, que recebem doações e disponibilizam o material gratuitamente para qualquer paciente que precise e tenha compatibilidade genética.

Mas como isso é feito? O cordão umbilical doado para um banco público é um ato voluntário e deve ser autorizado pela mãe do bebê. As doações só podem ser realizadas nas maternidades conveniadas com a Rede BrasilCord. É necessário que a mãe entre em contato com os órgãos competentes antes do parto para autorizar a coleta, que é realizada logo após o parto e não leva mais do que cinco minutos. Acompanhe nosso artigo de hoje e conheça essa possibilidade!

Procedimento seguro para a mãe e para o bebê

A coleta do sangue do cordão umbilical é totalmente segura. Ela pode ser feita pelo próprio obstetra responsável pelo parto, ou por um enfermeira especializada, independente de ter sido cesárea ou normal. Depois de clampear e cortar o cordão, o médico faz uma punção na veia e na artéria que ele possui, retirando entre 70 ml e 150 ml de sangue. O material é guardado em bolsas estéreis e levado a um laboratório, onde as células são separadas e, então, congeladas e preservadas em tanques de nitrogênio líquido.

Nesse processo, é possível extrair mais de 500 milhões de células-tronco, o suficiente para realizar ao menos um tratamento. Elas são mantidas em temperaturas baixas, inferiores a – 196 ⁰C, o que garante que sua atividade metabólica seja interrompida — em outras palavras, que as células permaneçam como estão, sem se desenvolver —, e ficam prontas para serem reativadas quando necessário.

Informações interligadas

As informações genéticas são cadastradas em um banco de dados conectado a várias cidades do Brasil e de outros países, podendo ser úteis a pacientes de diversos locais do mundo. A doação é voluntária e tem como exigências que a gestação tenha durado pelo menos 35 semanas e que a mãe não tenha histórico médico de câncer. Após a coleta, os dados se tornam confidenciais, de modo que não há possibilidade de comunicação entre a família doadora e o indivíduo beneficiado.

Hoje, aproximadamente 99% dos cordões umbilicais são descartados como lixo hospitalar nas maternidades brasileiras. Por isso, é tão importante estimular a sociedade para que eles sejam destinados aos bancos existentes em diversos estados do país, em um esforço de cooperação internacional.

A importância da “célula-mãe”

Também chamadas de células-mãe, as células-tronco são assim tão especial porque dão origem às células adultas que constituem os tecidos e órgão no nosso corpo. Por terem essa capacidade de autorrenovação, elas contribuem para a reparação de tecidos danificados ou para a substituição de células que vão morrendo. É essa capacidade de regeneração e reparação que faz com que as células-tronco sejam utilizadas no tratamento de diversas doenças, e estejam em estudo para o tratamento de várias outras.

O sangue do cordão umbilical contém células-tronco valiosas que são utilizadas há mais de 25 anos para tratar diversas doenças de origem sanguínea e relacionadas ao sistema imunológico como linfomas, leucemias, doenças de falência medular, metabólicas e imunológicas.

Quais as vantagens do armazenamento de células-tronco em bancos públicos?

Concordar em coletar o sangue umbilical do seu bebê para guardá-lo em bancos públicos é uma ótima alternativa porque, no mínimo, evita que um material valioso, rico em células com potencial para tratamento de doenças, seja simplesmente descartado, quando pode ajudar alguém que está doente. As vantagens, no entanto, não param por aí:

  • É gratuito;
  • Ajuda a alimentar uma rede pública e interligada em território nacional e internacional. Cada região do país possui um banco de armazenamento de células-tronco, o que é essencial para representar a diversidade genética brasileira e facilitar a busca por um doador compatível;
  • O material fica disponível para o tratamento de qualquer pessoa que precise do transplante e que seja compatível.

Quais são as desvantagens?

Sim. É importante destacar que, embora apresente muitos benefícios, armazenar as células-tronco do seu bebê em bancos públicos não garante tratamento para ele ou para algum parente no futuro. Caso seja essa a sua intenção, os bancos públicos talvez não sejam a melhor opção, já que:

  • Sangue do cordão umbilical doado é disponibilizado a qualquer paciente que necessite. Dessa forma, caso o filho da gestante ou algum membro de sua família futuramente precise de um transplante, não há qualquer garantia de que a amostra possa um dia ser recuperada para uso;
  • Não há armazenamento do tecido do cordão, apenas do sangue (saiba o que isso quer dizer no tópico abaixo).

Armazenamento privado

Se você pretende guardar as células-tronco do seu bebê para assegurar-se de que o material estará sempre disponível para a sua família, a sugestão é considerar o armazenamento no sistema privado. Nessa modalidade, você paga uma taxa mensal e pode armazenar não só as células-tronco do sangue, mas também as do tecido do cordão umbilical, que são congeladas para que possam ser utilizadas no futuro.

Vale explicar que o sangue do cordão umbilical é rico em células-tronco chamadas de hematopoiéticas, utilizadas no tratamento de doenças sanguíneas e imunológicas. Já o tecido do cordão umbilical, é uma importante fonte de células-tronco que vem sendo pesquisada para o tratamento de diversas doenças, como diabetes, doenças cardíacas, cirrose hepática, Alzheimer, entre outras (entenda melhor essa diferença aqui).

No armazenamento em um banco privado, apenas sua família, e mais ninguém, tem acesso às células-tronco. O material é 100% compatível com a própria pessoa e tem 25% de chance de ser 100% compatíveis entre irmãos do mesmo pai e da mesma mãe. As células-tronco armazenadas no banco privado estarão imediatamente disponíveis para uso, assim que houver a necessidade de transplante.

É muito importante que os pais possam tomar uma decisão livre e esclarecida em relação ao valor das células-tronco do cordão umbilical, um material rico que é diariamente descartado nas maternidades do país. Atualmente, mais de 99% dos cordões umbilicais são, infelizmente, descartados como lixo hospitalar no Brasil, um material valioso que, se armazenado em bancos públicos ou privados, pode contribuir para a saúde de tantas famílias que precisam.

Se você está esperando um bebê e quer saber mais sobre o assunto, confira o passo apasso da coleta e tire outras dúvidas que ainda tenha sobre o armazenamento de células-tronco do cordão umbilical! E não deixe de comentar nosso artigo, contando quais são seus planos para as células-tronco do seu filho. Pretende guardá-las? Se sim, como? Deseja doá-las para o banco público ou guardá-las para uso próprio no sistema privado? Compartilhe conosco!

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  • Dra. Deise Almeida

    (CRM: 149683)
  • Graduação em medicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública;
  • Especialista em Clínica Médica;
  • Residência Médica pelo Hospital Geral Roberto Santos – BA;
  • Especialista em Hematologia e Hemoterapia;
  • Residência Médica pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) – RJ.

One Reply to “Como é o armazenamento de células-tronco em bancos públicos?”

  1. […] bebê e seus parentes terão acesso exclusivo ao material, a qualquer momento. Isso porque, ao ser destinado ao banco público, o material fica disponível para qualquer paciente que tenha compatibilidade e precise do […]

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A CordVida produz o conteúdo desse blog com muito carinho e com o objetivo de divulgar informações relevantes para as futuras mães e pais sobre assuntos que rondam o universo da gravidez. Todos os artigos são constituídos por informações de caráter geral, experiências de outros pais, opiniões médicas e por nosso conhecimento científico de temas relacionados às células-tronco. Os dados e estudos mencionados nos artigos são suportados por referências bibliográficas públicas. A CordVida não tem como objetivo a divulgação de um blog exaustivo e completo que faça recomendações médicas. O juízo de valor final sobre os temas levantados nesse blog deve ser estabelecido por você em conjunto com seus médicos e especialistas.