Entenda como a idade influencia na tentativa de engravidar

Gravidez

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Todo mundo já ouviu falar que o relógio biológico da mulher já começa a soar a partir dos 30 anos e que a mulher não deve engravidar depois dos 35, já que a chance do bebê nascer com algum problema é muito grande — ou é praticamente impossível a menos que se utilize de técnicas de fertilização in vitro. Mas será que isso é verdade? E o homem? Ele também tem um limite de idade para ter filhos?

A relação da idade com a fertilidade é permeada por diversos mitos e exageros e é importante se informar para não se preocupar à toa. Leia o nosso post para saber o que realmente é verdade e entenda como a idade influencia na tentativa de engravidar:

A fertilidade da mulher cai após os 35 anos?

Os óvulos, cerca de 7 milhões, se formam com a mulher ainda dentro do útero da mãe, durante a 20º semana de gestação. Na hora do nascimento a mulher já perdeu uns 5 milhões. Quando chega à puberdade o número está mais perto dos 400mil e a partir daí quase mil óvulos são descartados por mês. Mas como 400 mil é bem mais do que qualquer mulher precisa, essa perda só se torna relevante para a fertilidade a partir dos 35 anos. Daí até os 40 anos há uma queda pequena, mas considerável, da chance de engravidar naturalmente e a partir dos 42 anos o declínio é realmente grande e a maioria das mulheres já podem ser consideradas inférteis quando chegam aos 45.

O risco do bebê ter alguma doença aumenta com a idade da mãe?

Sim, o risco aumenta mas continua não sendo muito alto. À medida que a mulher se aproxima da menopausa, a qualidade dos óvulos vai caindo e a frequência de alterações cromossômicas aumenta. Dessa forma, doenças como a síndrome de Down se tornam mais comuns. Para uma mãe de 30 anos, a chance é de 1 em 1000, para uma aos 40 anos a chance é 1 em 150 — mas continua abaixo de 1%.

O homem também é influenciado pela idade?

De certa forma sim, mas bem mais tardiamente do que na mulher. Após os 50-60 anos a chance de algumas doenças genéticas autossômicas dominantes, como a síndrome de Marfan e a acondroplasia, serem transmitidas aumenta em 20% e o esperma perde qualidade, podendo não ser capaz de fecundar o óvulo.

A gravidez aos 40 anos coloca a vida da mãe ou do bebê em risco?

Como a mulher é mais velha, a chance de ela já ter ou desenvolver alguma doença como hipertensão ou diabetes é maior. Também existe um maior risco de parto prematuro e de problemas na placenta. A grávida com mais de 40 anos requer uma atenção especial do obstetra e deve redobrar os cuidados com a alimentação e a prática de exercícios. Exames específicos como o ultrassom para medida da translucência nucal, a biópsia do vilo corial, a amniocentese e mais recentemente o NIPT ajudam no rastreio e diagnóstico das doenças genéticas, que são mais prevalentes em bebês de mães acima de 35 anos.

Existe idade perfeita para engravidar?

Não, cada casal vai ter um momento certo para aumentar a família. A gravidez antes dos 35 anos continua a ser o mais recomendado pelos médicos, mas diversos fatores sociais, econômicos, culturais e pessoais impedem muitas mulheres de seguir essa sugestão.

O importante é que a mulher tenha consciência de que a gravidez tardia traz maiores riscos e maiores dificuldades, sendo muitas vezes necessário recorrer à técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro, ou à adoção. E se a mulher já sabe que só vai engravidar perto dos 40 anos, pode optar também pelo congelamento de óvulos ou de embriões, preservando sua fertilidade.

Entendeu tudo sobre o efeito da idade sobre a sua fertilidade? Se ainda tiver dúvidas, não deixe de escrevê-las nos comentários.

  • Dr. Bruno Wunder de Alencar

    (CRM: 684341RJ)
  • Graduado em Medicina pela Escola de Medicina Souza Marques e residência em Ginecologia e Obstetrícia pelo Instituto Fernandes Figueira;
  • Título de especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO;
  • Pós Graduação em Medicina Fetal pela FIOCRUZ;
  • Pós Graduação em Ginecologia pela Santa Casa de Misericórdia RJ;
  • Últimas posições: Diretor Médico do Hospital Estadual da Mulher Heloneida Studart e Membro do Conselho Médico da Casa de Saúde São José

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