O que é criogenia?

Células-Tronco

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A preservação das células-tronco obtidas do cordão umbilical, tanto as do sangue do cordão quanto as do tecido, só é possível graças à criogenia. Essa técnica utiliza nitrogênio líquido para criar temperaturas extremamente baixas, nesse caso, -196ºC, para manter essas células congeladas. Em temperaturas tão baixas, as células se mantêm viáveis e podem ficar guardadinhas por muitos anos, ficando imediatamente disponíveis para quando seu bebê ou alguém na sua família precisar usá-las no tratamento de alguma doença.

Saiba mais sobre o que é criogenia e como essa técnica é usada na medicina.

De onde vem o termo?

O termo criogenia vem da junção da palavra grega “kryos”, que significa frio, gelo, com “génesis” que significa criação, produção. Dessa forma, o termo demonstra bem o processo de produção de temperaturas baixas (menores que -150ºC) para o congelamento e preservação de algo, que é no que consiste a criogenia.

Quem inventou a técnica?

O termo criogenia foi inventado pelo professor holandês Heike Kamerlingh Onnes, em 1894, para a definição do processo de liquefação de substâncias que se encontram permanentemente na forma gasosa no meio ambiente, como o oxigênio, o nitrogênio, o hidrogênio e o hélio. No entanto, a liquefação de oxigênio já havia sido realizada em 1887 e, na época, muitos pesquisadores buscavam meios para repetir o feito com os outros gases permanentes.

Quais suas aplicações?

Os gases liquefeitos são utilizados como combustíveis de foguetes, na construção civil, na reciclagem, no transporte internacional de gás natural, no comércio de oxigênio para hospitais e na formação de metais supercondutores, úteis para o funcionamento de diversos equipamentos. Além, é claro da preservação de materiais biológicos, como veremos a seguir.

E na medicina?

Para a medicina, os ramos da criocirurgia e da criopreservação são os mais importantes. O primeiro se refere ao uso das temperaturas baixas para a destruição de tecidos, técnica geralmente usada para remover tumores da pele ou do colo uterino. Já a criopreservação envolve a preservação de células, tecido e embriões no estado congelado para que possam ser utilizados anos depois.

Dessa forma, no caso de embriões, a técnica permite que muitos casais realizem no futuro o sonho de serem pais. Já no caso das células-tronco do sangue do cordão umbilical, é possível oferecer através dessa técnica a possibilidade de tratamentos para doenças como as leucemias, linfomas, talassemia, aplasia de medula entre outras.

Como a criogenia faz com que as células sejam preservadas?

A grande maioria dos centros de criopreservação utiliza nitrogênio líquido em seus tanques. O processo começa com um congelamento gradual até atingir a temperatura de -196ºC, que é o ponto de ebulição do nitrogênio, fazendo com que as células sejam postas em um estado inerte. Isso significa que todos os seus processos biológicos e reações químicas ficam parados e ela pode permanecer paralisada dessa forma por um longo período de tempo.

Qual é o processo de criopreservação das células-tronco?

Após a coleta, o sangue ou o tecido do cordão umbilical chega ao laboratório e é processado para que o maior número de células-tronco seja adquirido. O material é testado quanto a doenças como sífilis, HIV e quanto a contaminações ambientais. Se o número mínimo de células é obtido e não há nenhuma doença que impeça a criopreservação, inicia-se o processo de congelamento das células, normalmente envoltas em substâncias crioprotetoras e em etapas. Isso acontece para que elas se mantenham viáveis, sem nenhuma formação de cristal de gelo e em equilíbrio osmótico, evitando a desidratação do tecido.

A refrigeração inicial já mantém as células-tronco a 4ºC. A partir daí a temperatura é controladamente reduzida até os -120ºC. A última etapa é feita no equipamento especial com o nitrogênio líquido, que leva a temperatura aos -196ºC.

Por quanto tempo as células podem ficar congeladas?

Como o uso dessa técnica em células-tronco é recente para a história da medicina, ainda não é possível definir por quanto tempo as células ficarão viáveis. A literatura científica atual relata a viabilidade de células-tronco do sangue do cordão umbilical criopreservadas há mais de 23 anos. Isso pode sugerir que não haja limite para o tempo de congelamento e que as células, uma vez criopreservadas, possam estar viáveis por tempo indeterminado.

Quer saber mais sobre a criopreservação? Ficou interessado no uso dessa técnica com células-tronco e como ela pode vir a ajudar no tratamento de doenças? Leia os nossos outros posts e entre em contato com a Cordvida para saber mais.

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  • Dra. Deise Almeida

    (CRM: 149683)
  • Graduação em medicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública;
  • Especialista em Clínica Médica;
  • Residência Médica pelo Hospital Geral Roberto Santos – BA;
  • Especialista em Hematologia e Hemoterapia;
  • Residência Médica pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) – RJ.

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