O que você precisa saber sobre líquido amniótico na gravidez

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Toda grávida já ouviu falar do líquido amniótico que envolve o bebê durante toda a gestação e é eliminado pela vagina quando a bolsa se rompe. Mas afinal o que compõe esse líquido? Como ele é produzido? Para quê ele serve? Quais as possíveis alterações no líquido amniótico e quais as consequências delas? Produzimos um vídeo especial com nossa Dra. Especialista e vamos explicar tudo isso aqui no nosso post! Assista o vídeo e não deixe de conferir o nosso artigo!

Toda grávida já ouviu falar do líquido amniótico que envolve o bebê durante toda a gestação e é eliminado pela vagina quando a bolsa se rompe. Embora seja famoso, muita gente não sabe que esse líquido tem diversas funções que são essenciais para a proteção e para o desenvolvimento adequado do bebê e é capaz de provocar algumas doenças quando está alterado.

Mas afinal o que compõe o líquido amniótico? Como ele é produzido? Para quê ele serve? Quais as possíveis alterações no líquido amniótico e quais as consequências delas? Vamos explicar tudo isso aqui no nosso post! Confira!

O que é o líquido amniótico?

O líquido amniótico é o fluido que envolve o bebê durante os nove meses de gravidez, preenchendo a bolsa amniótica. Como a maior parte do líquido amniótico é composto de água, a bolsa amniótica é também conhecida como bolsa das águas.

É o líquido amniótico que sai pela vagina quando a bolsa se rompe — naquelas cenas clássicas de filme —, sendo um dos indicadores de que o momento do parto está chegando.

Qual a composição do líquido amniótico?

A composição do líquido amniótico varia ao longo da gravidez mas o pH está sempre numa faixa neutra, entre 7,0 e 7,5. Inicialmente, ele é composto apenas de água proveniente do organismo materno, mas à medida que o corpinho do bebê vai se desenvolvendo e os seus órgãos começam a funcionar, ureia, glicose, proteínas, lipídeos, células descamadas do feto, enzimas, hormônios, pigmentos e sais inorgânicos são adicionados à mistura.

Mas é importante lembrar que o líquido amniótico não está completamente isolado e realiza trocas o tempo todo tanto com o organismo da mãe quanto do bebê, tendo, portanto, uma composição fluida e sendo renovado completamente a cada 2 horas.

Qual a função do líquido amniótico?

O líquido amniótico tem diversas funções importantes na proteção e no desenvolvimento do bebê:

  • Proteção mecânica contra traumas por choques e movimentos bruscos;
  • Proteção do cordão umbilical contra compressões que impediriam o fluxo de oxigênio e nutrientes para o bebê;
  • Proteção do bebê contra infecções devido às propriedades antibióticas;
  • Estímulo ao desenvolvimento do sistema digestivo já que o bebê engole o líquido amniótico;
  • Estímulo ao desenvolvimento do sistema respiratório do bebê pois algumas substâncias no líquido amniótico estimulam o crescimento e a maturação dos pulmões;
  • Manutenção de uma temperatura constante dentro do útero;
  • Mais espaço para que o bebê se movimente e desenvolva os músculos e os ossos, ao mesmo tempo em que reduz o gasto de energia desses movimentos.

Como o líquido amniótico é produzido?

A bolsa amniótica se forma bem no comecinho da gravidez, por volta da segunda semana, contendo apenas uma pequena quantidade de líquido. Pouco a pouco, durante os primeiros quatro meses de gestação a placenta e as membranas vão produzindo mais e mais líquido amniótico.

Ao final desse período, no entanto, é o próprio bebê quem controla a produção eliminando a urina, rica em sódio e ureia, dentro do saco amniótico e mudando toda a composição do líquido. Além disso, o líquido amniótico que é deglutido pelo bebê chega aos intestinos, é absorvido e filtrado pelos rins, voltando ao líquido amniótico na forma de urina. Esse ciclo se mantém até o final da gravidez.

Como o bebê e o líquido amniótico interagem?

Antes de mais nada, o líquido amniótico mantém o bebê quentinho, protegido e cria espaço para ele se movimentar. Até a 20-25ª semana, como a pele do bebê é extremamente fininha e ainda não foi queratinizada, os tecidos do organismo da criança conseguem também absorver o líquido amniótico.

Após esse período, no entanto, o líquido amniótico só entra dentro do bebê através da deglutição, sendo absorvido pelo intestino. A partir do momento que os rins do bebê funcionam, a urina é produzida e eliminada no líquido amniótico, contribuindo para o volume do todo.

Qual a quantidade de líquido amniótico?

A quantidade varia dependendo do momento da gravidez. No início da gestação, há apenas alguns poucos mililitros de líquido amniótico mas essa quantidade vai aumentando até a 36-37ª semana, quando atinge seu valor máximo entre 800 e 1000 mL. A partir daí, o líquido amniótico vai se reduzindo aos poucos até o momento do parto, à medida que o bebê ocupa cada vez mais espaço dentro do útero.

Como é possível avaliar a quantidade de líquido amniótico?

A quantidade de líquido amniótico pode ser determinada por meio de um simples ultrassom. Através das imagens que mostram os bolsões de líquidos entre o bebê e a parede uterina, o médico consegue calcular o chamado Índice de Líquido Amniótico (ILA), que varia entre 5 e 25 cm. Além disso, o exame junto ao obstetra pode esclarecer suspeitas, principalmente em relação a alterações no valor de altura uterina esperada para determinado período da gestação, já que esse valor está relacionado ao volume do líquido amniótico.

Mulheres com perda de líquido amniótico podem relatar um líquido claro e sem cheiro saindo pela vagina, enquanto as com excesso de líquido amniótico observam um crescimento muito rápido da barriga acompanhados de sensação de pele esticada, falta de ar, dores abdominais, azia, constipação, inchaço de pernas e varizes além do considerado normal durante a gravidez.

Quais as possíveis alterações no líquido amniótico?

O líquido amniótico pode ser produzido em quantidade menor à necessária (oligodramnia), o que prejudica principalmente o crescimento do bebê e o desenvolvimento dos pulmões, ou pode ser produzido em excesso (polidramnia), distendendo o útero e podendo levar ao parto prematuro.

Vale ressaltar, no entanto, que na maioria dos casos, bebês oligodrâmnios e polidrâmnios nascem perfeitamente saudáveis, sendo necessário apenas um acompanhamento da gravidez mais de perto com o obstetra para que tudo corra bem.

O que causa a oligodramnia?

Nem sempre é possível saber o que está causando a redução na quantidade de líquido amniótico, mas os fatores mais comuns são:

  • Desidratação, que reduz a quantidade de líquidos em todo o corpo da mulher;
  • Ruptura parcial da bolsa amniótica, com perda de pequenos volumes de líquido amniótico pela vagina;
  • Alterações na placenta que prejudicam a nutrição do bebê e provocam uma redução na produção de urina;
  • Malformações renais que impedem a produção de urina;
  • Síndrome da transfusão feto-fetal no caso de gravidez de gêmeos não-idênticos em que um dos bebês recebe menos sangue do que outro e se desenvolve menos, produzindo menos urina e, consequentemente, menos líquido amniótico;
  • Alguns medicamentos anti-hipertensivos e anti-inflamatórios também diminuem a produção de líquido amniótico.

Quais as consequências da oligodramnia?

Com pouco líquido amniótico, o bebê fica mais suscetível a traumas e tem seu desenvolvimento ósseo e muscular prejudicado, nascendo com baixo peso. Além disso, o prejuízo à maturação dos pulmões pode ser grave e resultar em insuficiência respiratória ao nascimento. O conjunto de alterações relacionadas a oligodramnia é frequentemente chamado de síndrome de Potter.

Sem a proteção do líquido, o cordão umbilical também fica ameaçado, aumentando-se o risco de compressão funicular (compressão do cordão umbilical) e prejuízo do fluxo sanguíneo que oxigena e nutre o bebê.

O que causa a polidramnia?

Definido como uma quantidade excessiva de líquido amniótico, a polidramnia pode ser causada por:

  • Diabetes mellitus materno, o que aumenta a produção de urina do bebê;
  • Gravidez múltipla (gêmeos, trigêmeos, etc.), o que implica em uma quantidade maior de líquido amniótico para a proteção dos bebês;
  • Síndromes cromossômicas, como a síndrome de Down ou a síndrome de Edward;
  • Alterações congênitas como fendas palatinas ou malformações no sistema nervoso que atrapalham o funcionamento adequado do corpo do bebê;
  • Infecções por rubéola, citomegalovírus, toxoplasmose e sífilis;
  • Incompatibilidade de fator Rh.

Quais as consequências da polidramnia?

Com a maior quantidade de líquido amniótico a parede uterina fica mais distendida, o que estimula o trabalho de parto prematuro. Há uma associação maior também com prolapso do cordão umbilical na hora do parto vaginal, o que faz com que o cordão seja pressionado pela parede vaginal e prejudica a oxigenação do bebê, e com o descolamento da placenta.

Qual a relação do líquido amniótico com a amniocentese?

A amniocentese é um procedimento invasivo que consiste na coleta de parte do líquido amniótico para análise das células do bebê. Isso é possível já que a bolsa e o líquido amniótico também se formam a partir do zigoto, contendo o mesmo material genético.

A técnica é indicada para avaliação de síndromes cromossômicas, principalmente quando há alteração no teste de translucência nucal, mas traz alguns riscos, como sangramento e aborto. Assim, antes de realizar a amniocentese é importante tirar todas as dúvidas com o obstetra e compreender bem por que aquele exame deve ser realizado.

A saída do líquido amniótico indica o início do parto?

Mais ou menos. A ruptura espontânea da bolsa amniótica após a 37ª semana de gestação é um dos primeiros sinais do trabalho de parto, mas algumas mulheres podem apresentar contrações antes desse evento e outras podem passar a maior parte do trabalho de parto com a bolsa ainda inteira, o que leva algumas maternidades a realizar a ruptura artificial da bolsa amniótica para acelerar o processo.

Em geral, após a ruptura da bolsa amniótica, o bebê nasce dentro das próximas 48 horas, dependendo da velocidade de progressão do parto. Mas vale lembrar que, em casos extremamente raros de parto vaginal, os bebês podem nascer ainda dentro da bolsa amniótica, o que algumas culturas consideram um sinal de boa sorte.

Tudo isso significa que embora seja comum o rompimento da bolsa coincidir com o início do trabalho de parto, isso nem sempre ocorre.

Como saber se a bolsa amniótica se rompeu?

O rompimento da bolsa amniótico geralmente ocorre espontaneamente no final do período gestacional, sendo um marco importante da progressão para o trabalho de parto. Apesar do susto, o processo não provoca qualquer dor ou desconforto e pode inclusive ocorrer durante o sono da mulher.

Quando a bolsa se rompe, é comum haver um fluxo grande e incontrolável de líquido pela vagina, molhando bastante as vestimentas da mulher. Mas em alguns casos, devido ao posicionamento do bebê e do local de rompimento da bolsa, o fluxo de saída do líquido é mais lento, até mesmo em gotas, podendo passar despercebido. É comum ainda que metade do líquido saia quando a bolsa se rompe e a outra metade só depois que o bebê passa pelo canal vaginal.

E quando a bolsa amniótica se rompe antes do tempo?

O rompimento prematuro da bolsa amniótica coloca em risco a vida do bebê, aumentando o risco de prematuridade e necessitando de acompanhamento médico. Mas não é o fim do mundo também, já que a placenta e a bolsa amniótica continuam a produção do líquido, mantendo um certo equilíbrio entre o ganho e as perdas.

As causas mais comuns para essa ruptura são traumas externos, estresse, excesso de exercício físico, infecções urinárias, inserção baixa da placenta e posicionamentos incomuns do feto.

Em geral, a ruptura prematura é pequena e ocorre um vazamento mínimo de líquido pela vagina. Muitas mulheres confundem esse líquido com a urina, mas é importante observar que o líquido amniótico é incolor e sem cheiro, ao contrário da urina que é mais amarelada e tem um odor típico.

Uma vez identificado o rompimento, a mulher deve procurar um serviço de saúde, ficar de repouso, manter o corpo bem hidratado, tomar antibióticos, ser monitorada e seguir quaisquer outras recomendações médicas para cuidar do seu bem-estar e do bem-estar do bebê. Quanto mais tempo a bolsa fica rompida, maior é o risco de infecções, por isso, muitas vezes o parto acaba sendo adiantado.

O líquido amniótico contem células-tronco?

Sim. Pesquisas recentes mostraram que além do sangue e do tecido do cordão umbilical, o líquido amniótico também é rico em células-tronco pluripotentes capazes de se diferenciar em diversos tecidos — cérebro, fígado e ossos, por exemplo. A expectativa é de que no futuro essas células também poderão ser usadas no tratamento de diversas doenças, já sendo possível armazená-las em alguns laboratórios pelo mundo.

Para toda grávida, o mais importante é fazer um pré-natal adequado e estabelecer uma relação de confiança com o obstetra, levantando todas as dúvidas que surgirem durante a gestação quanto às alterações no seu corpo e se elas são normais ou podem indicar que algo não está indo como esperado. Apesar de toda a importância do líquido amniótico, com um bom acompanhamento, as alterações dessa substância não costumam trazer consequências para a saúde do bebê ou da futura mamãe.

Gostou do nosso post? Qualquer dúvida que você ainda tiver sobre o líquido amniótico é só deixar um comentário para nós!

  • Dra. Juliana Torres Alzuguir Snel Corrêa

    (CRM: 5279398-1)
  • Residência Médica em Ultrassonografia Obstétrica e Geral;
  • Ginecologia Infanto Puberal (criança e adolescente);
  • Atua como ginecologista obstetra há 12 anos.

2 Replies to “O que você precisa saber sobre líquido amniótico na gravidez”

  1. […] o bebê. Na verdade, o que envolve o bebê é a bolsa d’água. Essa membrana, preenchida por líquido amniótico, acaba funcionando uma verdadeira “piscina”, na qual o bebê fica totalmente […]

  2. […] passar pelo canal vaginal, o tórax do bebê é comprimido e ele consegue expelir o líquido amniótico de seus pulmões. Isso não acontece na cesariana, o que pode acarretar problemas respiratórios no […]

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