Tudo que você precisa saber sobre células-tronco

Células-Tronco

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Todo mundo já ouviu falar que os tratamentos com células-tronco são a grande promessa da medicina para o século XXI. Capazes de se transformar em células de diversos tecidos do organismo, elas têm o potencial de substituir células doentes e restaurar a saúde do indivíduo.

Mas, afinal, o que são as células-tronco? Quais os tipos que existem? Qual a relação delas com o cordão umbilical do bebê? A coleta das células-tronco atrapalha o trabalho de parto ou machuca o neném? Quais doenças já podem ser tratadas com as células-tronco? Quais as pesquisas que estão sendo feitas com esse material? Tem tudo isso respondido aqui no nosso post!

Então é só continuar lendo para aprender tudo o que você precisa saber sobre células-tronco!

O que são as células-tronco?

As células-tronco são células especiais imaturas denominadas de células pluripotentes,  sendo capazes de dar origem a diversos outros tipos de células. Assim, uma mesma célula-tronco pode se multiplicar, diferenciar e dar origem a outras células, se multiplicando indefinidamente sem perder suas características. Essa capacidade única de autorrenovação e divisão constantes contribui para a reparação de tecidos danificados ou para a substituição de células que vão morrendo.

Por que as células-tronco são tão importantes?

Como as células-tronco se multiplicam, gerando outras células-tronco, e se diferenciam de acordo com os estímulos do tecido em que são colocadas, forma-se uma excelente linha de produção e renovação dos tecidos. Esse é grande poder dessas células, o poder regenerativo.

Essas propriedades são usadas pela medicina regenerativa, com as células-tronco sendo capazes de renovar as estruturas do corpo humano, reparando regiões lesadas e auxiliando no tratamento de doenças.

Quais os tipos de células-troncos?

As células-tronco se dividem em dois principais grupos: embrionárias e adultas. Essas se diferenciam pelo estágio do seu desenvolvimento, ou seja, se são encontradas em embriões ou em humanos já completamente formados — seja bebês, crianças, adultos ou idosos.

O que são as células-tronco embrionárias?

As células-tronco embrionárias só são encontradas no embrião, por volta do 5º dia após a fecundação, e têm a capacidade de se transformar em absolutamente qualquer tecidos do corpo humano. Isso ocorre já que são exatamente essas células que dão origem ao bebê e a todos os seus órgãos. Essa totipotência faz com que as células-tronco embrionárias tenham uma ampla capacidade terapêutica, já demonstrada em experimentos com modelos animais.

No entanto, a coleta de células-tronco embrionárias implica na destruição de embriões e geralmente acabando sendo, sob o aspecto ético, uma fonte de células polêmica para transplantes em seres humanos.

O que são as células-tronco adultas?

As células-tronco adultas são células coletadas de um indivíduo após o seu nascimento. São amplamente encontradas no sangue e no tecido do cordão umbilical, na medula óssea de pessoas de todas as idades, além de outras partes do corpo humano.

Atualmente, já estão sendo desenvolvidas também técnicas em laboratório que induzem a formação de células-tronco a partir de células de outros tecidos, como pele ou sangue, o que poderia facilitar o andamento das pesquisas e aumentar o número de doenças tratadas com células-tronco.

As células-tronco do cordão umbilical são consideradas células adultas, não enfrentam qualquer questionamento ético quanto à sua utilização e são armazenadas por bancos públicos e privados em todo o mundo. Elas se dividem em dois grupos: as hematopoéticas e as mesenquimais.

O que são as células-tronco hematopoiéticas?

As células-tronco hematopoéticas são as capazes de dar origem às células do sangue e do sistema imunológico: as hemácias, os leucócitos e as plaquetas. Elas podem ser encontradas no sangue do cordão umbilical e na medula óssea de pessoas de qualquer idade, e já são usadas no tratamento de doenças há mais de 20 anos.

O que são as células-tronco mesenquimais?

As células-tronco mesenquimais dão origem a células presentes nos ossos, nas cartilagens, nos músculos, nos tendões e na gordura e podem ser encontradas em diversas fontes do corpo de um ser humano, como gordura, vasos, medula óssea, placenta e tecido do cordão umbilical. Ao contrário das células-tronco hematopoiéticas, as mesenquimais ainda não são usadas no tratamento de qualquer doença, mas as pesquisas são extremamente promissoras e espera-se que isso mude em um futuro próximo.

Quais as células-tronco presentes no cordão umbilical?

O cordão umbilical do bebê é muito rico em células-tronco adultas tanto hematopoéticas quanto mesenquimais, sendo, portanto, um tecido altamente valioso.

As células hematopoéticas são encontradas no sangue presente no cordão umbilical após o nascimento do bebê. Já as mesenquimais estão presentes no próprio tecido do cordão.

Quais são as propriedades das células-tronco para tratamentos de saúde?

A lógica por trás dos tratamentos com células-tronco é que essas conseguem se multiplicar e se diferenciar de forma a substituir as células doentes e, assim, restaurar o funcionamento do tecido.

Tendo como base esse princípio, vários tratamentos prometem revolucionar a medicina no controle de doenças como fibrose cística e doença de Parkinson. Outros tratamentos, como o transplante de medula, já estão bem estabelecidos em todo o mundo há mais de 20 anos, contando com diversas histórias de sucesso na cura de doenças sanguíneas, incluindo leucemias, falências medulares e deficiências congênitas do sistema imunológico.

Por que armazenar células-tronco do cordão umbilical?

Estima-se que a chance de uma pessoa precisar receber um transplante de medula durante a vida, o tratamento mais comumente realizado com as células-tronco, é de 1 em 217. Um número que parece baixo, mas que supera o de outras doenças que geram grande preocupação nos pais durante a gravidez, como a síndrome de Down — que afeta 1 em cada 800 bebês — e a fibrose cística — com 1 em cada 3200 ou 1 em cada 31000, dependendo da etnia.

Se as células-tronco forem armazenadas, ganha-se uma nova possibilidade de fonte de células para o tratamento contra diversas doenças tanto para a criança quanto para algum familiar direto, como irmãos ou irmãs. Com estas chances de compatibilidade: 100% com o próprio bebê e até 25% de chance de ser 100% compatível com irmãos.

Além disso, as células-tronco do cordão umbilical são mais imaturas, mais tolerantes imunologicamente, do que as da medula, permitindo que o transplante seja feito mesmo quando a compatibilidade é menor que 100%. Outra vantagem é que a coleta é simples e indolor, aproveitando o cordão umbilical que seria descartado após o parto.

Já as células-tronco do tecdio do cordão também merecem uma atenção devido ao seu grande potencial terapêutico.  Como essas células começaram a ser utilizadas pela ciência mais recentemente do que as do sangue, elas ainda não chegaram à prática médica, mas as pesquisas em diversos centros já vêm ocorrendo há mais de 10 anos para investigar o uso delas no tratamento de doenças extremamente comuns na nossa população, como diabetes tipo 1, diabetes tipo 2, complicações pós-transplante, cirrose hepática, infarto do miocárdio, esclerose lateral amiotrófica, e lesões esportivas.

Quantos transplantes de medula óssea já foram realizados com células-tronco do cordão umbilical?

Atualmente, já foram realizados mais de 1500 transplantes com células-tronco hematopoéticas do cordão umbilical no Brasil e mais de 25000 em todo o mundo, para o tratamento de mais de 80 doenças. Tudo isso em menos de 30 anos desde que o procedimento surgiu.

E os números aumentam exponencialmente a cada ano, à medida que mais células-tronco estão sendo armazenadas e que as pesquisas trazem mais possibilidades de tratamentos para a prática médica.

Como é feita a coleta das células do cordão umbilical de recém-nascidos?

A coleta de células-tronco do cordão umbilical

é extremamente simples e não atrapalha em nada a progressão do parto, seja ele normal ou cesárea. Todas as etapas de coleta ocorrem após o nascimento do bebê e o corte do cordão umbilical, sem causar qualquer dor ou incômodo na criança ou na mãe. Apenas o cordão umbilical que sobra na placenta, um material que seria descartado pelo hospital como lixo hospitalar, é necessário para a coleta.

O sangue da parte do cordão umbilical que ainda está conectado à placenta, rico em células-tronco hematopoéticas, é coletado por meio de uma seringa e armazenado em uma bolsa própria para o transporte para o laboratório de armazenamento.

Já para a coleta do tecido do cordão umbilical, rico em células-tronco mesenquimais, basta que o maior pedaço possível do cordão seja retirado e colocado em um frasco estéril provido pelo laboratório de armazenamento.

Todo o procedimento de coleta não costuma gastar mais do que cinco minutos, sendo indolor e seguro. Após a coleta, o material é transportado em um recipiente adequado que protege contra variações de temperatura e mantido entre 4 e 24º C, devendo ser armazenado no tanque de criopreservação em no máximo 48h, conforme as determinações da ANVISA. Mas como a maioria dos hospitais não conta com um serviço de coleta, é importante já deixar tudo combinado com o laboratório de armazenamento que você escolher e informá-los do momento do parto.

Como é feito o armazenamento das células-tronco?

Ao chegar ao laboratório,

o material coletado é processado e analisado antes do armazenamento, passando por um controle de qualidade. São verificados o número de células-tronco presentes e são realizados exames de sorologia e cultura para determinar se há qualquer contaminação por vírus ou bactérias naquele material.

As células-tronco do sangue são armazenadas por meio da técnica de criopreservação, na qual a temperatura é reduzida lentamente com nitrogênio líquido até que se atinja -196ºC. Por meio dessa técnica, a integridade das células é preservada e elas podem ser mantidas nesse estado por anos, sem perder suas características funcionais e de viabilidade.

As células-tronco mesenquimais encontradas no cordão podem ser isoladas antes da criopreservação ou então pode-se congelar o tecido como um todo, planejando o isolamento apenas no momento em que as células forem utilizadas no futuro. A técnica escolhida depende de cada laboratório.

Como escolher um banco de armazenamento de células-tronco?

A escolha de um bom banco de armazenamento

faz toda a diferença. Pergunte ao seu médico e amigos e informe-se em relação à atuação do banco nas regiões do país, às técnicas de coleta, transporte, processamento e armazenamento utilizadas, o atendimento e os serviços prestados antes, durante e depois da coleta das células.

Confira também se o banco possui o certificado da Associação Americana de Bancos de Sangue (AABB), assegurando padronização, qualidade e segurança dos serviços prestados com os padrões mundialmente consagrados.

Cheque se o banco tem parcerias formais de colaboração técnico-científicas com instituições de renome, principalmente no exterior, e peça comprovação documental desses acordos.

Visite o local e pergunte sobre as tecnologias utilizadas e qual é o tempo de experiência da equipe nessa prática. Não deixe de investigar todas as informações que forem repassadas a você, com a ajuda do seu médico, avaliando a veracidade do que foi conversado e lhe trazendo ainda mais segurança para o momento de fazer a sua escolha. Além disso, vale a pena checar a estabilidade financeira do serviço, já que o armazenamento será prestado a longo prazo.

É possível armazenar as células-tronco em bancos públicos ou em bancos privados.

Como funciona o armazenamento de células-tronco em bancos públicos?

Os bancos públicos

de células-tronco no Brasil pertencem à rede BrasilCord, já tendo armazenado cerca de 19 mil unidades e tendo utilizados mais de 175 em transplantes. Todas as unidades de células se originam de doações voluntárias realizadas por gestantes em maternidades credenciadas à rede, espalhadas por todas as regiões do país.

Dessa forma, o material coletado não pertence à mãe ou à criança, mas à rede pública, podendo ser utilizado por qualquer brasileiro que necessite das células para transplante e seja compatível. Todas as transações são feitas de forma confidencial, sem qualquer contato entre os doadores e as pessoas que receberem o transplante.

Como ainda não são realizados tratamentos com as células-tronco mesenquimais encontradas no tecido, os bancos públicos coletam apenas o sangue do cordão umbilical.

Como funciona o armazenamento de células-tronco em bancos privados?

Nos bancos privados, o material coletado pertence a quem contratou o serviço, ou seja, aos responsáveis legais pela criança, que pagam pelo armazenamento. Assim, o material só é utilizado após autorização dos responsáveis, ficando guardadinho até que a criança ou algum familiar precise de um transplante.

Os detalhes da coleta e do armazenamento variam de acordo com cada laboratório, mas, em geral, é possível realizar a coleta tanto do sangue quanto do tecido do cordão umbilical em hospitais de todo o Brasil e enviar o material para o laboratório dentro do prazo previsto pela ANVISA. Com toda a organização, o material é corretamente identificado e mantido em um recipiente refrigerado até chegar ao laboratório, quando então é processado e armazenado.

Os bancos privados brasileiros já armazenam mais de 90 mil unidades de células-tronco, de acordo com a última informação oficial em 2013, com uma estimativa de 16 tendo sido utilizadas até 2014.

Por quanto tempo as células-tronco podem ficar armazenadas?

A literatura científica atual relata a viabilidade de células-tronco do sangue do cordão umbilical criopreservadas há mais de 24 anos. Isso sugere que, uma vez criopreservadas nas condições corretas, as células-tronco podem permanecer viáveis por tempo indefinido.

Afinal, compensa armazenar as células-tronco do cordão umbilical?

Devido à facilidade de coleta, à riqueza do material e ao seu grande potencial terapêutico, não há nenhuma dúvida na comunidade científica de que as células-tronco do cordão umbilical devam ser coletadas ao nascimento e armazenadas, seja em um banco privado ou um banco público.

Gostou do nosso post sobre as células-tronco? Que tal conferir também na íntegra uma matéria produzida pelo Jornal Nacional sobre o tema e descobrir histórias de sucesso com o transplante de células-tronco?

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  • Dra. Deise Almeida

    (CRM: 149683)
  • Graduação em medicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública;
  • Especialista em Clínica Médica;
  • Residência Médica pelo Hospital Geral Roberto Santos – BA;
  • Especialista em Hematologia e Hemoterapia;
  • Residência Médica pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) – RJ.

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Caro Leitor,

A CordVida produz o conteúdo desse blog com muito carinho e com o objetivo de divulgar informações relevantes para as futuras mães e pais sobre assuntos que rondam o universo da gravidez. Todos os artigos são constituídos por informações de caráter geral, experiências de outros pais, opiniões médicas e por nosso conhecimento científico de temas relacionados às células-tronco. Os dados e estudos mencionados nos artigos são suportados por referências bibliográficas públicas. A CordVida não tem como objetivo a divulgação de um blog exaustivo e completo que faça recomendações médicas. O juízo de valor final sobre os temas levantados nesse blog deve ser estabelecido por você em conjunto com seus médicos e especialistas.