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Célula reprogramada trata doença de Parkinson

14/4/2008
Zero Hora – RS


Cientistas nos EUA conseguiram tratar doença de Parkinson em ratos pela primeira vez usando células da pele artificialmente transformadas em células-tronco embrionárias.

- Algumas células indiferenciadas acabaram sendo transplantadas junto, mas esse problema nós conseguimos eliminar.

O experimento é um grande passo na direção de aplicar a recém-desenvolvida técnica da pluripotência induzida para tratar doenças em humanos.

Essa estratégia, em tese, dispensa o uso de embriões humanos em terapia. Por ela, uma célula adulta é reprogramada geneticamente para achar que é uma célula-tronco embrionária, capaz de se converter em qualquer tipo de tecido.

Os pesquisadores liderados pelo alemão Rudolf Jaenisch, do Instituto Whitehead, nos EUA, provaram que células da pele de camundongo reprogramadas e induzidas a se transformarem em neurônios conseguiram se alojar no cérebro de fetos de roedor e funcionar.

Num segundo experimento, ratos adultos geneticamente alterados para terem doença de Parkinson (caracterizado pela falta de uma molécula chamada dopamina em algumas regiões do cérebro) receberam injeções dessas células. Oito de nove animais no teste tiveram melhora nos sintomas da doença, e um deles ficou com níveis de dopamina ainda mais altos na região do transplante do que em outras áreas do cérebro.

- É a primeira vez que a técnica é usada em uma doença neurodegenerativa - disse o austríaco Marius Wernig, autor principal do estudo.

Antes que alguém ache que esse é o começo do fim do uso de embriões em pesquisa, no entanto, Wernig dá um alerta: a técnica tem problemas sérios de segurança.

Primeiro, o veículo usado para a indução é um retrovírus, um parente do HIV. Depois, dois dos genes usados na reprogramação são genes de câncer. Vários dos camundongos no primeiro experimento morreram com tumores.

- Embora os retrovírus sejam silenciosos, há o temor de que eles possam se ativar nas células e originar tumores - disse Wernig.

Os ratos adultos que sofreram transplante também desenvolveram um tipo de tumor, chamado teratoma, mas muito fraco. Segundo Wernig, isso aconteceu porque a transformação das células de pele reprogramadas em neurônios não foi 100% completa


  
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