Diabetes tipo 1 -Terapia com células - tronco consegue deter avanço do tipo mais agressivo da doença
15/9/2009
Jornal de Santa Catarina - SC - EDIÇÃO IMPRESSA
Sinal vermelho para o diabetes
Jornal de Santa Catarina - SC - EDIÇÃO IMPRESSA - 14/09/2009
TERAPIA COM CÉLULAS-TRONCO CONSEGUE DETER AVANÇO DO TIPO MAIS AGRESSIVO DA DOENÇA
Uma revolução no tratamento do diabetes tipo 1 está em curso. Apesar de os médicos evitarem usar a palavra cura, não escondem o entusiasmo com os resultados de uma pesquisa desenvolvida pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP).
O tratamento em teste usa Células-tronco, é arriscado, mas alcançou uma façanha inédita. Entre os 23 pacientes submetidos a terapia, em 2004, 10 interromperam as injeções de insulina que precisavam se aplicar pelo menos três vezes por dia. Outros 10 pacientes não conseguiram abandonar as aplicações, mas tomam hoje apenas uma dose diária. Em apenas três, a doença não regrediu. “É a primeira vez que se consegue fazer com que pacientes parem de tomar insulina”, diz o endocrinologista Carlos Eduardo Couri, um dos autores do estudo.
– É um trabalho comentado, discutido e aplaudido no mundo todo. Mas são necessários cuidados especiais com o paciente, que tem seu sistema imunológico ‘apagado’ – alerta o endocrinologista Balduíno Tschiede.
Com o uso de Células-tronco, os médicos da USP conseguiram deter o avanço do diabetes tipo 1 reprogramando o sistema imune do paciente. Nos portadores da enfermidade, por uma razão ainda desconhecida, as defesas do organismo enxergam o pâncreas como um inimigo e impedem que o órgão produza insulina da forma correta. Para acabar com esse ataque do próprio organismo, seria preciso consertar o mau funcionamento do sistema imunológico. O que se conseguiu até agora foi exatamente isso.
Na terapia, as Células-tronco são retiradas da medula óssea do paciente e congeladas em seguida. Duas semanas depois, inicia-se o processo mais complicado: sessões de quimioterapia, iguais às usadas para combater o câncer, reduzem a atividade do sistema imune da pessoa. Quando as defesas estão quase a zero, as células são reinjetadas. De volta ao organismo, recriam o sistema imunológico, que passa a funcionar da maneira certa.
– É o mesmo raciocínio que se tem quando o computador dá problema. O que se faz? Desligamos e ligamos de novo. Desligamos o sistema imune da pessoa com a quimioterapia e o ligamos com as Células-tronco – explica Couri.
Até o momento, o modo mais eficaz para tratar o diabetes tipo 1 é ensinar seus portadores a controlar os níveis de glicose no sangue. Quem quiser se candidatar, deve entrar em contato com os pesquisadores pelo e-mail ce.couri@yahoo.com.br. É preciso ser diabético do tipo 1, ter entre 12 e 35 anos e ser diabético há menos de três meses.
Outro destaque no tratamento do diabetes tipo 1 são os medicamentos conhecido como análogos: drogas criadas a partir de alterações genéticas da insulina feitas em laboratórios. Com eles, é possível evitar o sobe e desce repentino da glicose, o pesadelo dos diabéticos.
O tratamento com essa medicação combina dois tipos de análogo. O primeiro serve para aumentar o nível da insulina no sangue por um curto período de tempo, e é indicado para os momentos em que a glicose está elevada por motivos como estresse ou por causa das refeições, que costumam ser críticas para os portadores da doença. O segundo análogo tem um efeito mais prolongado, e é aplicado apenas uma ou duas vezes por dia. Com o uso em conjunto dos dois, os níveis de glicose ficam mais estáveis.
– Graças aos medicamentos, é mais fácil controlar a glicose no sangue. Os pacientes diabéticos sempre se preocupam em manter os níveis em dia, com uma alimentação rigorosa, na quantidade certa e na hora certa. Com os análogos, a rotina não é tão rígida e o dia-a-dia deles torna-se mais agradável – explica a endocrinologista Helena Schmid.
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