Esperança para quem precisa de células-tronco
7/1/2008
Zero Hora – RS – Geral
Estado deve ganhar este ano banco de sangue do cordão umbilicalQuase sempre jogados no lixo, cordões umbilicais de recém-nascidos poderão se tornar esperança para pacientes que aguardam por um transplante de células-tronco no Rio Grande do Sul. Deverá ser instalado ainda neste ano o primeiro banco público de sangue do cordão umbilical no Estado. Atualmente, existem somente dois no país, no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Nos próximos dois anos, o governo federal pretende liberar recursos para implantar bancos em oito capitais. No Rio Grande do Sul, seria ainda em 2008, conforme a Secretaria Estadual da Saúde, responsável por coordenar um grupo de trabalho que estuda a instalação.
- O projeto está bem adiantado. Estamos confiantes de que se tornará realidade ainda neste ano, talvez no primeiro semestre - diz o secretário estadual da Saúde, Osmar Terra.
O banco de cordão umbilical armazenará sangue retirado dos cordões umbilicais após o parto para, posteriormente, utilizá-lo em transplantes de células-tronco em pessoas com doenças como leucemia.
A intenção é aumentar as chances de encontrar doadores com o mesmo perfil genético dos pacientes. Atualmente, esses pacientes precisam encontrar voluntários dispostos a fazer doação de medula óssea para retirar as células-tronco.
- Quando atingirmos 4 mil coletas de sangue de cordão umbilical, teremos uma diversidade genética suficiente para, possivelmente, suprir a necessidade de qualquer cidadão gaúcho que precise de transplante - explica Patrícia Pranke, do Instituto de Pesquisas com Células-tronco e professora do curso de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Maternidades de dois ou três hospitais da Capital seriam cadastradas para a retirada do material.
- É muito mais fácil a doação do cordão umbilical, que geralmente vai para o lixo, do que encontrar uma pessoa disposta a doar medula óssea. Além disso, as chances de fazer o transplante são cinco vezes maiores porque o cordão não precisa de compatibilidade total - diz Patrícia.
RS registra cerca de 700 novos casos de leucemia por ano
Sílvia Spalding, presidente da Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde (FEPPS), diz que o projeto encaminhado ao Ministério da Saúde prevê a instalação do banco no Hospital de Clínicas. A implantação custaria cerca de R$ 2 milhões, que seriam destinados pelo governo federal, mas o Instituto de Pesquisas com Células-tronco também tentará recursos com a iniciativa privada.
No Brasil, há em média 10 mil novos casos de leucemia por ano, cerca de 700 no Rio Grande do Sul, conforme dados do Ministério da Saúde. No Estado, são realizados cerca de 80 transplantes de células-tronco por ano.
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