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Novas chances reprodutivas / FERTILIDADE

18/5/2009
Zero Hora Online Viver


Zero Hora - RS - Viver - 09/05/2009

Cientistas chineses deram mais um passo no sentido de derrubar um dos principais “dogmas” da biologia reprodutiva dos mamíferos: a ideia de que as fêmeas nascem com um número finito de ovócitos (as células precursoras dos óvulos) em seus ovários. O estudo foi feito com camundongos, mas é provável que os resultados sejam verdadeiros também para seres humanos, segundo o especialista Jonathan Tilly, da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Se Tilly estiver certo, isso significa que as mulheres possuem Células-tronco germinativas em seus ovários que continuam a produzir ovócitos no decorrer da vida, assim como ocorre com os espermatozoides nos testículos do homem – uma afirmação que carrega implicações profundas para o estudo da reprodução humana e para o tratamento da infertilidade.

Tilly foi o primeiro a questionar cientificamente o dogma, em 2004, com um trabalho publicado na revista Nature. A pesquisa apresentava evidências de que os ovários de camundongos continham células capazes de formar novos ovócitos – mas não fornecia amostras dessas células. Esse e outros trabalhos de Tilly foram duramente questionados desde então, criando uma enorme polêmica sobre o assunto.

Agora, o trabalho da Universidade Jiao Tong, de Xangai, na China, publicado na revista Nature Cell Biology, faz exatamente o que o pesquisador de Harvard não fez em 2004. Liderada por Ji Wu, a equipe chinesa isolou Células-tronco germinativas dos ovários de camundongos recém-nascidos (cinco dias de vida) e adultos. As células foram mantidas em cultura por vários meses, congeladas, descongeladas e transplantadas para os ovários de camundongos estéreis, cujos óvulos e ovócitos foram destruídos antes por quimioterapia.

Não só as Células-tronco deram origem a novos óvulos como esses óvulos foram fecundados e deram origem a bebês camundongos perfeitamente saudáveis. Como prova, as células foram marcadas inicialmente com uma molécula fluorescente chamada GFP, que permitiu rastrear visual e geneticamente a sua evolução. No final, tanto os óvulos quanto os camundongos gerados por eles tinham a proteína verde.

– Era o prego que faltava no caixão. Para mim, o dogma está morto – disse Tilly, em entrevista por telefone, após ler o trabalho chinês.

Segundo o americano, já há evidências suficientes na literatura científica para concluir que os ovários continuam a produzir ovócitos ao longo da vida. Ou que, pelo menos, mantêm a capacidade de produzi-los, por meio de Células-tronco germinativas. Assim como foi feito com os camundongos no estudo chinês, seria possível, então, isolar e congelar Células-tronco germinativas de mulheres para uso futuro, em casos de infertilidade causada por idade avançada ou efeitos colaterais do tratamento de câncer.

– O ovário produz novos ovócitos, mas ele não deixa de envelhecer. O relógio biológico continua funcionando – afirma Tilly, diretor do Centro de Biologia Reprodutiva do Hospital Geral de Massachusetts, em Boston (EUA). – A menopausa ocorre não porque acabam os ovócitos, mas porque os ovários ficam velhos. A fábrica para de funcionar. Se entendermos melhor como isso ocorre, talvez possamos mantê-la funcionando por mais tempo.

Células anteriores aos óvulos continuariam sendo produzidas durante a vida, o mesmo que ocorre com os espermatozoides.








  
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