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Pesquisa da PUCPR com células-tronco traz esperança para cardíacos

21/2/2008
Gazeta do Povo Online


As células-tronco estão longe de ser a panacéia capaz de dar cabo de todos os males, mas testes em pacientes cardíacos já se revelam promissores. Os estudos estão avançados no Paraná, onde a Pontifícia Universidade Católica (PUCPR) foi pioneira. Cerca de 60 pacientes participam das pesquisas sobre terapia celular na instituição.

“As experiências começaram na França, em 1999”, conta o chefe do Laboratório de Regeneração Tecidual da PUCPR, Luiz César Guarita Souza. “Graças ao empenho do decano do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, professor Alberto Accioly Veiga, trouxemos a tecnologia e montamos o laboratório.”

João Borges João Borges / A PUCPR iniciou os experimentos com b style= A PUCPR iniciou os experimentos com células-tronco em 2004, com apoio do Ministério da Saúde A PUCPR iniciou as pesquisas com pacientes em 2004. Desde 2006, a universidade participa da rede de estudos financiados pelo Ministério da Saúde e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) com 1,2 mil pacientes de todo o país. As pesquisas visam à regeneração do músculo e dos vasos do coração em portadores de doença de Chagas, miocardiopatia dilatada, enfarte agudo e isquemia crônica.

O professor alerta, contudo, que a realidade pode frustrar as expectativas. “Acham que vai resolver tudo, o que é uma mentira”, adverte. “A utilização da técnica é proibida com fins comerciais ou terapêuticos. Só os pacientes que se enquadrarem nos protocolos aprovados pelo Ministério da Saúde participam do estudo, sem custo.”

Nem todos os pacientes avaliados serão beneficiados. Metade deles está no grupo placebo, que não receberá as células-tronco, para confrontar os resultados com os pacientes que efetivamente receberem o tratamento.

UFPR iniciou experiências em 2007 No Hospital de Clínicas (HC), vinculado à Universidade Federal do Paraná (UFPR), as pesquisas com células-tronco também são aplicadas em doenças cardíacas degenerativas. “Iniciamos os estudos em abril de 2007 e os primeiros resultados deverão ser obtidos no meio deste ano”, conta o responsável pelas pesquisas no HC, Danton Rocha Loures.

Convênio firmado com o Ministério da Saúde e com a Finep garante o financiamento das pesquisas relacionadas à cardiopatia dilatada. Já os estudos envolvendo a insuficiência coronariana, na qual se associa a terapia celular à vascularização com ponte de veia safena ou artéria mamária, são apoiados pelas secretarias estaduais da Saúde e da Ciência e Tecnologia.

Em parceria com a PUC do Rio Grande do Sul, onde os experimentos são conduzidos pelo professor Jaberson Costa da Costa, a Federal estuda ainda a célula-tronco aplicada ao sistema nervoso central para tratar convulsões em ratos. Rocha Loures afirma que há pesquisas indicando resultados “assustadoramente bons” em pacientes que tiveram acidente vascular cerebral (AVC). “Alguns recuperaram a fala, passaram a andar, tiveram uma recuperação praticamente completa”, diz. “Se a célula-tronco vai se tornar um paradigma? Vamos saber dentro de 3 a 5 anos.” Também no HC, o professor Gilvani Azor de Oliveira e Cruz estuda a aplicação da terapia celular na cirurgia plástica. (AS)As células usadas nos experimentos são adultas. Há impedimentos éticos e legais para pesquisas com células-tronco embrionárias, conhecidas como totipotentes, por serem capazes de diferenciar-se em qualquer tecido humano. As células-tronco adultas, por sua vez, são chamadas de pluripotentes, já que sua capacidade de diferenciação abarca alguns tipos de tecidos, mas não todos. Diferenciam-se conforme o meio, podendo formar músculos, tendões, ossos, cartilagens, tecido adiposo e vasos sanguíneos.

A técnica é simples: as células-tronco adultas são obtidas por meio de punção na medula óssea. Após processo de preparo, que dura duas horas, elas são injetadas diretamente na área comprometida.

Os primeiros resultados do estudo devem ser divulgados em um prazo de seis meses a um ano. “Há evidências de melhora em algumas patologias – infelizmente, nem todas”, revela o professor.

A terapia celular beneficia pacientes com o coração doente, mas com o tecido vivo. Neste caso, as células-tronco regeneram o músculo cardíaco e os vasos que o irrigam.

Já para os pacientes que têm enfarte crônico, com tecido morto e fibrose transmural (ou seja, que atinge toda a parede do ventrículo), a situação é mais complicada, já que não há mais músculo a ser regenerado. Para esses casos, há outra pesquisa em curso na PUCPR. Além das células-tronco, a terapia envolve células mioblásticas esqueléticas retiradas do músculo da coxa. Nessa técnica, as células mioblásticas esqueléticas conseguem recuperar o músculo cardíaco perdido e as células-tronco completam o serviço regenerando a vascularização.

A terapia celular é uma nova esperança para portadores de insuficiência cardíaca terminal, caso em que é indicado o transplante de coração. “Além da dificuldade de obtenção do órgão, a necessidade de imunossupressão para evitar a rejeição limita o tratamento”, explica Guarita. “Não se consegue tratar todos os pacientes e muitos morrem na fila de espera ou em conseqüência dos efeitos colaterais da imunossupressão.”

Nos próximos dias 22 e 23, em Armação dos Búzios (RJ), na região dos Lagos, o Ministério da Saúde promove reunião para avaliar os estudos e discutir a viabilidade da disseminação da terapia celular.





  
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