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Informativo

25/10/2010
“Sangue do cordão umbilical: doar ou congelar para uso próprio?”, publicado no espaço “Página Einstein” na edição 2188 da revista Veja de 27/10/2010



INFORMATIVO
Gostaríamos de prestar alguns esclarecimentos a respeito do texto “Sangue do cordão umbilical: doar ou congelar para uso próprio?”, publicado no espaço “Página Einstein” na edição 2188 da revista Veja de 27/10/2010.
Concordamos que os bancos públicos de Sangue de Cordão são um instrumento de política de saúde pública fundamentais no combate às altas taxas de mortalidade de doenças hematológicas como leucemias, linfomas, aplasias, para citar apenas três das setenta e nove graves doenças tratáveis com transplantes. Entretanto, apesar de nascerem mais de 2.755.0001 crianças todos os anos no Brasil, a rede de bancos públicos brasileiros (BRASILCORD) conseguiu alcançar apenas 6.000 amostras armazenadas desde que foi criada em 2002, segundo a própria matéria. Ora, numa população tão miscigenada como a nossa, este é o principal motivo porque 70% dos pacientes no Brasil não encontram doadores compatíveis. Portanto, o problema crítico a ser debatido na realidade é como podemos acelerar o crescimento deste valioso inventário público, inclusive lançando mão de parcerias nunca antes tentadas entre o setor público e a inciativa privada.
A doação do sangue de cordão umbilical para bancos públicos, hoje restrita a poucos hospitais, é anônima e não pode ter seu uso direcionado para o próprio doador ou seus familiares. Os bancos privados, por sua vez, oferecem uma alternativa, assim como qualquer seguro saúde, para que uma parte da população que tenha interesse possa direcionar o sangue do cordão umbilical para uso pessoal ou familiar. No mundo, mais de 1.000.000 famílias já tomaram esta decisão, como forma de se prevenir contra um risco, que apesar de baixo, não é inexistente. Se somarmos apenas os dois maiores bancos privados do mundo que juntos contam com mais de 500.000 amostras armazenadas, já foram realizados 186 transplantes usando estas amostras, sendo 175 aparentados e 11 autólogos.2
O debate atual sobre se vale a pena pagar pelo armazenamento privado, ou não, se caracteriza por uma polarização pouco transparente. Se por um lado, alguns bancos privados fazem propaganda sensacionalista vendendo as células-tronco do SCU como a cura para todos os males, por outro, alguns profissionais de saúde declaram que o armazenamento privado “não serve para nada”. Nós da CordVida discordamos veementemente de ambas as posturas. Por muito tempo profissionais médicos como pediatras consideravam como um risco quase remoto a probabilidade de uma pessoa vir a precisar de um transplante de medula. De fato, a incidência de doenças como a leucemia de 0 a 20 anos é de apenas 1 em 11.4943 . Entretanto, estudos recentes demonstram que a probabilidade de uma pessoa vir a precisar de um transplante de células-tronco ao longo de toda a sua vida de 0 a 70 anos é muito maior: de 1 em 220 (ou 0,23%)4. Se este risco justifica ou não o armazenamento privado do SCU, é uma questão muito pessoal, que deve ser discutido com o médico da família, levando em conta, entre outros fatores, o quanto o custo do procedimento pesa no orçamento familiar.4
(1) IBGE Registro Civil 2007 - http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/registrocivil/2007/tabela1_8.pdf
(2) http://www.viacord.com/viacord-services.htm e http://cordblood.net/pdf/transplant_summary.pdf
(3) Nietfeld JJ, Pasquini MC, Logan BR, Verter F, Horowitz MH. Biology of Blood and Marrow Transplantation, “Lifetime Probabilities of Hematopoietic Stem Cell Transplantation in the U.S”. 14:316-322. 2008.)
(4) Dra. Lygia da Veiga Pereira, PhD, “De lixo hospitalar a Salvador de vidas” Revista da ABRALE, Mar/Abr/Mai, 12:54-55.2010








  
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