Estou grávida, e agora? Conheça os primeiros cuidados

GravidezPrimeiro trimestre de gravidez

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A notícia de uma gravidez traz uma torrente de emoções para a futura mamãe — alegria, sentimento de realização, preocupação com a saúde do bebê, ansiedade e uma série de dúvidas sobre os primeiros cuidados que serão necessários.

O ideal é que a gravidez seja planejada com antecedência e que alguns hábitos já sejam incorporados na rotina para preparar o corpo e a mente para a gestação — exames ginecológicos como o Papanicolau, sangue e urina são feitos nessa etapa para avaliar a saúde da mulher e providenciar tratamentos em suplementações alimentares, caso necessário. É o caso, por exemplo, de iniciar o uso do ácido fólico, um composto vitamínico do complexo B muito importante para o desenvolvimento neural do feto e que deverá ser tomado em todo o primeiro trimestre da gestação. E idealmente, iniciado três meses antes da gravidez.

Mas, como tudo pode acontecer, se a gravidez for uma surpresa não há motivos para preocupações! Todos os cuidados serão devidamente observados durante o pré-natal para garantir a boa evolução da gestação e a saúde da mamãe e do bebê.

Veja quais são os primeiros cuidados depois de fazer o teste e descobrir: “estou grávida!”.

Iniciar o pré-natal

A primeira coisa após a confirmação da gravidez é marcar uma consulta com o ginecologista obstetra para iniciar o pré-natal. Se você já tem um médico de confiança, ótimo. Se não, peça referências para parentes ou amigas que já tiveram filhos. O mais importante é que você se sinta confortável e segura e crie uma relação de confiança com o profissional, afinal ele vai te acompanhar durante toda a gestação e será sua referência para orientações e esclarecimento de dúvidas sobre a sua saúde e a do bebê que está a caminho.

O Ministério da Saúde recomenda no mínimo seis consultas durante a gestação para garantir uma assistência adequada à mulher e ao bebê. A frequência das consultas varia de acordo com a condição clínica de cada gestante e as recomendações do médico que a acompanha. Em geral, até o sétimo mês as visitas são mensais, no oitavo podem ser quinzenais e no último mês elas são semanais para acompanhar a evolução do bebê e as condições da mãe para o parto.

Providenciar uma bateria de exames

A primeira consulta do pré-natal é a mais demorada de toda a gestação. Além de analisar todo o histórico de saúde da mulher e de seus familiares para prever possíveis complicações, será ainda solicitada uma bateria de exames de sangue e urina. Não se assuste com a quantidade deles, o objetivo é mesmo avaliar sua saúde geral e identificar se há algum risco especial para a boa evolução da gravidez e que precisará de acompanhamento mais rigoroso.

Os principais exames solicitados incluem o hemograma completo com contagem de plaquetas, exame de glicemia, testes sorológicos para HIV, sífilis, toxoplasmose, CMV, rubéola e hepatites (B e C), o teste de tipo sanguíneo e fator RH, o de Coombs indireto para mulheres RH negativo (se o pai da criança tiver o RH positivo, esse exame será repetido mensalmente para avaliar se não há a presença de anticorpos no sangue materno contra o RH positivo e que podem trazer riscos para o bebê) e também exames de urina. Lembrando que outros exames podem ser solicitados a critério médico.

Fazer a primeira ultrassonografia

A primeira ultrassonografia é realizada logo após a descoberta da gravidez, entre a sexta e a oitava semana. Ela é feita por via intravaginal (ou transvaginal) e seus principais objetivos são visualizar o embrião, a presença de batimentos cardíacos do feto e o saco gestacional, confirmar a idade gestacional e estimar a data provável do parto e avaliar se o embrião está implantado no útero ou fora dele (gravidez ectópica) além de detectar uma gestação gemelar precocemente. É possível

Também são observados os ovários e o colo do útero. Nesse primeiro ultrassom já é possível ouvir os batimentos cardíacos do bebê — que é rápido e forte.

Fazer a segunda ultrassonografia

A segunda ultrassonografia deve ser feita entre a 11ª e a 13ª semana de gestação, quando é feita a avaliação do desenvolvimento do bebê e o teste de translucência nucal, que é a medição da nuca e do osso do nariz. Alterações nessas duas medidas — como o excesso de líquido na nuca ou a ausência do osso nasal — podem indicar alterações nos cromossomos, malformação ou alguma síndrome genética, como a síndrome de Down.

Em caso de alterações, serão solicitados exames complementares para a investigação.

Cuidar da alimentação

Algumas mulheres sentem muito enjoo e náuseas nos primeiros três meses da gestação, o que pode dificultar uma alimentação adequada. Mas é preciso insistir e investir em uma alimentação saudável com muitas frutas, verduras e leguminosas. Afinal, seu bebê vai precisar de todos os nutrientes, vitaminas e minerais para se desenvolver de forma saudável.

Mais importante do que a quantidade é a qualidade da alimentação. É preferível se alimentar mais vezes em pequenas porções que fazer grandes refeições pesadas. Dê preferência para os carboidratos integrais, como os pães preparados com farinhas integrais, arroz integral, aveia, etc., pois eles ajudam a regular as funções intestinais que podem ficar mais lentas na gravidez.

Consuma carnes magras, peixes, castanhas, sementes e derivados de leite como iogurtes e queijos para obter proteínas. Evite doces e bebidas com muita cafeína, que podem comprometer o ganho de peso do bebê.

Elimine o cigarro e a restrinja a bebida alcoólica

O cigarro compromete o crescimento intrauterino e pode aumentar o risco de abortos espontâneos. Se não for possível parar de fumar, a gestante deve reduzir ao máximo o fumo para evitar danos ao bebê.

O álcool, por sua vez, pode causar malformações e afetar estruturas importantes no crescimento do seu filho — além de causar distúrbios neurológicos como a hiperatividade e irritabilidade após o nascimento.

Fazer atividades físicas

Atividades físicas leves, como a caminhada, ajudam a aliviar os inchaços, reduzem os riscos de hipertensão e diabetes gestacional e ajudam a controlar o peso. Além de liberar serotonina, responsável pela sensação de bem-estar.

Se não há restrições médicas, não deixe de fazer alguma atividade nessa fase — yoga, pilates, natação e hidroginástica também são boas opções. Mas sempre consulte o seu obstetra antes de iniciar uma atividade.

Não se automedicar

Há muitas restrições para uso de medicamentos durante a gravidez, pois várias substâncias podem comprometer o desenvolvimento do bebê, causar malformações e abortos. Por isso, nunca se automedique.

Fale sempre com seu médico sobre grandes desconfortos como dores de cabeça, excesso de gases ou dores nas costas, comuns na gestação. Se houver a necessidade de tomar algum medicamento, apenas o obstetra poderá fazer a melhor indicação.

Descansar

sensação de cansaço é muito intensa durante toda a gestação. Há o excesso de sono nos primeiros meses e o peso da barriga nos últimos que dificultam as tarefas diárias. É natural, pois seu corpo está sobrecarregado e tendo que trabalhar para suprir as suas necessidades e as do bebê em crescimento. Por isso, é muito importante que você descanse e evite atividades pesadas.

Esperamos que essas orientações a deixem mais tranquila e a ajudem a curtir ao máximo esse esperado momento do “estou grávida!”. Ficou com alguma dúvida sobre os primeiros cuidados na gravidez? Deixe nos comentários!

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  • Dr. Mauricio Artigas Grillo

    (CRM: 12330PR)
  • Médico Obstetra Sênior do Hospital Santa Cruz (Curitiba);
  • Mestre e Doutor em Endocrinologia Ginecológica;
  • Membro da Comissão de Gestação de Risco – FEBRASGO.

One Reply to “Estou grávida, e agora? Conheça os primeiros cuidados”

  1. […] bem e confortavelmente durante a gestação é importante tanto para a segurança da mãe e do bebê quanto para elevar a autoestima da […]

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A CordVida produz o conteúdo desse blog com muito carinho e com o objetivo de divulgar informações relevantes para as futuras mães e pais sobre assuntos que rondam o universo da gravidez. Todos os artigos são constituídos por informações de caráter geral, experiências de outros pais, opiniões médicas e por nosso conhecimento científico de temas relacionados às células-tronco. Os dados e estudos mencionados nos artigos são suportados por referências bibliográficas públicas. A CordVida não tem como objetivo a divulgação de um blog exaustivo e completo que faça recomendações médicas. O juízo de valor final sobre os temas levantados nesse blog deve ser estabelecido por você em conjunto com seus médicos e especialistas.